História da arte: A Arte Inglesa
O mobiliário Georgiano e os estilos Regência e Vitoriano


A nogueira e principalmente o mogno, foram as madeiras mais usadas no mobiliário da época de George I (1714-1735), um estilo que desenvolveu-se a partir do mobiliário Rainha Ana (1702-1714). Os móveis ficaram mais ornamentados, mais pesados e ricos. Foi quando apareceu a Lion mask - cabeça de leão, usada no joelho da perna cabriolet que terminava em claw-and-ball - garra e bola. Se por um lado o estilo simples Queen Anne foi continuado algum tempo, principalmente as cadeiras wing-chair, banquinhos e sofás, cômodas e mesas de jogo, por outro a arquitetura influenciou os móveis que eram terminados por frontões, as secretárias lembrando edifícios com colunas e frisos, sendo usados também pedestais, bases e outros motivos arquitetônicos.

William Kent começou a fabricar móveis em estilo barroco, suas secretárias possuindo entalhações com motivos de conchas, folhagem e outros elementos característicos do estilo. É atribuída a ele o desenho da cama do Green State Bedroom de Houghton Hall em Norfolk em 1722. Com a obra de Kent, o Rococó também ficou na moda, a voluta em S, as curvas e decoração assimétrica, constituída por conjuntos de flores, frutos e pássaros, ganhando aceitação.

Espetacular cama desenhada por Robert Adam para o quarto de Osterly Park (1776)


Mobiliário Chippendale

Thomas Chippendale foi um dos grandes nomes do mobiliário inglês do século XVIII, nasceu em Otley, Yorkshire, em 1718 e herdou do seu pai, um marceneiro também chamado Thomas Chippendale, uma oficina de móveis em Londres. Em 1754 publicou um livro sobre mobiliário: The Gentleman and cabinet-marker's Director, que fez sucesso e lhe trouxe fama, espalhando seus móveis por toda a Europa. Foi a primeira obra inteiramente dedicada ao mobiliário, nela se justapondo o Rococó, o Gótico, o Clássico e as Chinoiseries. Se no livro os desenhos eram pobres, o mobiliário fabricado por ele era perfeito em mão-de-obra e em desenho. Chippendale se aproveitou de vários estilos existentes usando da melhor madeira e com um senso absoluto de linha e proporções, obteve grande harmonia e unidade. Ele foi chamado de "mestre da linha curva."

Chippendale produziu toda espécie de mobiliário, usando na ornamentação grande variedade de motivos. Atribuí-se a ele tantas peças, que se tornou impossível dissociar seu nome que quase todo o trabalho inglês em estilo rococó, principalmente cadeiras na metade do século XVIII. A cadeira de estilo Chippendale-Gótico tinha um entrecruzamento de ogivas no espaldar e ornamentação em sentido vertical; a Chippendale-chinês lembrava um pagode com ornamentação oriental; as chamadas ribbon-back - encosto em fita, tinha no espaldar um desenho imitando fita chamalote e algumas mostrava o espaldar em curvas paralelas no sentido horizontal - encosto em escada. Aberto a novas idéias, Chippendale recebeu influências do arquiteto escocês Robert Adam e fez trabalhos em estilo Neoclássico para os interiores de Adam, conhecido como mobiliário "Adam-Chippendale. O mobiliário de Thomas foi muito copiado e usado na Europa e na América do Norte. No fim da sua época, Chippendale se utilizou da delicadeza dos móveis franceses, mas essa reação foi principalmente adotada por seu sucessor Hepplewhite. Com a sua morte, Chippendale foi substituído pelo seu filho, também chamado Thomas, mas a sua firma foi perdendo importância.

Mobiliário Hepplewhite

George nunca atingiu a popularidade do estilo Chippendale, só ganhando notoriedade após sua morte, quando sua viúva publicou o seu Cabinet-maker and Upholsterer's Guide. Ele tinha sido aprendiz na maior casa de fabrico de mobiliário da província Gillow de Lancaster. Em 1760 teve uma oficina em Londres, onde popularizou o uso do pau-cetim e foi o líder de uma reação para maior delicadeza de linhas e proporções. Como conseqüência, seus móveis eram às vezes demasiados frágeis.

Hepplewhite empregou enormemente como ornamentação, pinturas e marchetaria e suas figuras clássicas mostravam o estilo da pintora suíça Angélica Kauffman. A marchetaria ele utilizava sincômoro, pereira, cerejeita, ébano e outras madeiras. Happlewhite fabricou toda espécie de mobiliário, destacando-se suas cadeiras cujos espaldares tinham cinco formas: oval, escudo, coração, roda e camafeu. As pernas eram sempre retas, quadradas ou redondas, afinando para baixo. A parte superior do espaldar da cadeira em escudo tinha uma curva em serpentina muito usada por ele em mesas, cômodas e consoles. Ele também colaborou com Adam, produzindo o mobiliário Adam-Hepplewhite.

Mobiliário Sheraton e Adam

O estilo de Thomas Sheraton a princípio parecia com o Luís XVI, sendo depois influenciado pelos estilos Diretório e Império. O móvel que fabricava era delicado de estrutura, tinha linhas retas e curvas em segmento em lugar das curvas serpentinas de Hepplewhite. Sheraton também publicou um livro, The Cabinet-Maker and Upholsterer Drawing book, seus desenhos influenciando a produção inglesa durante um bom tempo. Como ornamentação empregava a marchetaria e aplicações de placas de porcelanas.

Robert Adam, arquiteto e decorador, também se especializou em projeto e fabricação de móveis. O mobiliário que produziu tinha linhas delicadas e arquitetônicas, com ornamentação clássica. Usava bastante a pintura, alguns móveis inteiramente dourados. Sua principal criação foi o sideboard e também armários.

Estilo Regência

O estilo do Império Francês influenciou as artes na Inglaterra, principalmente em mobiliário. Se não tinha o ornamento napoleônico, era bem proporcionado e mais elegante que o francês dessa época. Depois tornou-se excessivamente ornamentado e grosseiro. Neste estilo as paredes das residências eram pintadas em cores fortes, contrastando com as cores pálidas dos interiores de Adam. Usavam colunas dóricas e jônicas, o ornamento seguindo o modelo clássico. A decoração do interior era de caráter simples e severo e nas salas usavam bustos de filósofos e heróis da antiguidade.

Estilo Vitoriano

A decadência das artes observada na Regência, continuou no reinado da Rainha Vitória, que não apoiou os movimentos artísticos, apesar de ser um governo financeiramente próspero. Observou-se uma variação de estilos, com influência indiscriminada do Gótico, Luís XV, egípcio, turco e veneziano. Eram movimentos feitos sem inteligência ou preocupação de detalhes. O próprio interior era uma confusão de estilos e cores, sempre forte, com painéis pseudogóticos. A decoração era de mau gosto com ornamentação em excesso. No mobiliário a principal influência foi do estilo Luís XV, os móveis pesados e mal proporcionados feitos em nogueira, jacarandá, ébano e mogno com entalhações de madrepérolas. A nota alegre era o uso do "chintz" floridos. É claro que sempre existem exceções e encontram-se peças muito bonitas e valiosas feitas nessa época.