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Malhôa,
ícone da pintura portuguesa
Conhecido em toda Europa e no Brasil, o artista José Vital
Branco Malhôa nasceu em Caldas da Rainha, Portugal, em abril
de 1854 e morreu nas imediações da mesma cidade, em
Figueiró dos Vinhos, no ano de 1933. Esteve no Brasil para
exposição em sua homenagem, no Real Gabinete Português
de Leitura em 1906. Tendo suas aptidões para desenho e pintura
sido reveladas logo na primeira infância, o menino José,
a conselho de Leandro Braga, ingressa na Escola de Belas Artes de
Lisboa, onde teve como professores Anunciação, Lupi
e Simões de Almeida. Durante todo o curso apresentou muita
dedicação, esforço pessoal e pode mostrar muito
do seu talento. Ganhava o primeiro prêmio todos os anos. Também foi através das encomendas de obras para prédios públicos que José Malhôa dedicou espaço em sua carreira para a pintura histórica. É desta fase o emblemático quadro "O último interrogatório do Marquês de Pombal" e "A partida de Vasco da Gama", que inscreveu no concurso da Câmara Municipal de Lisboa, no qual conseguiu o primeiro lugar, em 1888, sendo ele agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo. Outras obras importantes dentro da pintura histórica são os murais que se encontram no Museu da Marinha, realizados entre 1905 e 1908. Símbolo do Naturalismo português
José Malhôa, porém, tornou-se um pintor muito
popular em Portugal por conta dos inúmeros quadros que pintou
tendo como referência as paisagens lusitanas, principalmente
as que contam um pouco da história dos camponeses, predominando
o espaço rural. Era uma época em que a pintura ao ar
livre se difundia, por conta das novas tintas embaladas em bisnagas,
o que permitia ao artista - profissional ou amador - deslocar-se para
o local de observação. Antes da tinta em bisnagas os
pintores faziam esboços em papel e depois reproduziam as cenas
na tela. Para isso, além de um bom rascunho, precisavam de
boa memória para acertar na reprodução da luz
e das cores. Mesmo sendo sua obra claramente naturalista, as influências
românticas não deixam de estar presentes, como as encontradas
no quadro "A Beira Mar". Essa influência volta a ser
marcante nas telas do final da carreira, quando a pintura de Malhôa
fica mais livre e colorida. O artista tornou-se símbolo do naturalismo não tanto
com a pintura de paisagens, mas principalmente com a pintura de costumes,
onde também são marcantes a tristeza e melancolia que
sempre foram associadas à imagem de Portugal do século
XIX e a ruralidade característica das províncias que
circundam Lisboa, tais como Sintra, Figueiró dos Vinhos e Belas.
Esses lugares eram freqüentados pelos artistas do Grupo do Leão,
do qual pertencia Malhôa. O grupo de naturalistas era assim
chamado por reunir-se sempre na choperia de mesmo nome. Dois quadros
representam muito bem as características dessa pintura de costumes:
"Os Bêbados", de 1907 e "O Fado", de 1910.
Ambos fazem do Portugal de Malhôa um lugar mundano, com alto
nível de fatalidade e pobreza. Na verdade, a obra de Malhôa,
assim como o fado, tem um acentuado teor dramático.
Mas as cores vivas, a luminosidade, a alegria permeiam as diferentes
fases da carreira do artista. O jeito brejeiro da camponesa do início
do século traz ao espaço rural uma sensualidade possível.
A obra "Clara", de 1903 mostra a beleza da mulher do campo,
tema retomado em outros quadros, como "Cócegas",
de 1904. Com a vinda de tantos imigrantes portugueses para o Brasil, José
Malhôa tornou-se também um artista relativamente conhecido
por aqui mas, até hoje, a maior exposição realizada
com suas obras foi a organizada pelo Real Gabinete Português
de Leitura, no Rio de Janeiro, em 1906. Foi justamente nesta época
que el-rei Carlos I visitou seu atelier, despejando elogios às
telas que estavam sendo selecionadas para a mostra. Eram quase cem
obras. Depois disso, o Museu Nacional de Belas Artes promoveu uma
exposição retrospectiva, em 1955.
O Museu Malhôa mantém uma exposição permanente
que proporciona ao visitante um passeio pela pintura e escultura portuguesa
do Naturalismo do séculos XIX e XX. Há salas inteiramente
dedicadas à José Malhôa, ao Grupo do Leão
- com obras de Silva Porto, Marques Oliveira, Columbano, António
Ramalho, Moura Girão - e a obras de artistas da segunda geração
do naturalismo, como Luciano Freire, Veloso Salgado e Carlos Reis.
O museu tem ainda salas próprias para esculturas e cerâmicas,
que também estão presentes no pátio. |