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O
Relógio através do tempo
No começo, a história do relógio se confunde com a do
calendário, ambas remontam a uma época em que ainda
não se sabia ler nem escrever. Hoje, todos sabem que relógio
é o nome que se dá a qualquer instrumento destinado
à medição do tempo, mas a maioria desconhece
como o homem conseguiu descobrir um sistema de medida das horas, um
processo que durou séculos. Acredita-se que o tempo começou
a ser medido há cerca de 5000 anos. O Relógio do Sol
"Amaldiçoem os deuses o homem que descobriu como diferenciar
as horas; também aquele que neste lugar pôs o relógio
do sol que repartiu os meus dias em bocadinhos". (Autor desconhecido)
Nos castelos e palácios da Europa antiga, usava-se o "relógio de fogo", que consistia em uma corda com nós que queimavam a intervalos regulares. Outra forma de contar o tempo era através das velas marcadas, sistema usado pela nobreza européia; seis velas de 15 cm com espessura idêntica eram divididas com uma escala, e no seu conjunto demoravam 24 horas a consumir. Outra maneira de marcar as horas era usando o azeite colocado em recipiente de cristal ou vidro que, ao queimar, podia-se ver o líquido baixando de nível. Também era comum, nos conventos, o "monge-relógio", aquele religioso que, para informar o tempo que passava, recitava orações por determinado período. Clepsidra
Como todas as formas de marcar as horas não eram confiáveis,
o homem continuou a fazer novos experimentos. Foi assim que surgiu
no Egito o "relógio de água", o Clepsidra,
que consistia em um recipiente cheio de água com as paredes
graduadas e um pequeno orifício para a água sair. Cada
descida de duas graduações correspondia à passagem
de l hora. O Clepsidra se difundiu por toda a Europa e Ásia,
até o século XVI, quando era o mais exato medidor das
horas sem sol. Um dos exemplares mais antigos deste relógio
se encontra no Marrocos, na cidade de Fez. Ele foi construído
em 1357, durante o reinado do sultão Bou Inania e por 100 anos
marcou as horas das preces dos muçulmanos. A história
dá a primazia da construção da Clepsidra de rodas
dentadas a Arquimedes de Siracusa. A marcação de tempo
era feita por intermédio de uma bóia que elevava consigo
uma barra dentada e esta, por sua vez, movia uma engrenagem em cujo
eixo situava-se o ponteiro indicador. O maior problema do relógio
de água ocorria quando fazia muito frio e a água ficava
congelada.
Outro tipo de relógio muito utilizado foi o de areia, ou ampulheta.
Inventado também pelos egípcios, seu funcionamento é
simples: dois cones de vidro ligados por um pequeno orifício
que regulava a passagem de areia colocada em uma das partes, marcavam
determinado período de tempo. Depois era só virar o
instrumento e repetir o processo. A ampulheta aparece no século
VIII, e evoluiu com o fabrico do vidro que a tornou hermética,
garantindo a fluidez da areia. Usava-se também pó de
mármore moído, que era fervido em vinho e seco ao sol.
Levada para a Europa, a ampulheta foi utilizada pelos soldados romanos
para marcar a troca de guarda. Carlos Magno tinha uma ampulheta de
12 horas. Cristóvão Colombo usava uma de meia hora.
A medição mecânica do tempo teve origem nas ordens
religiosas que tinham necessidades de regular os tempos de oração
e de culto. Os primeiros relógios mecânicos não
mostravam o tempo: faziam-no soar. No início eram maquinas
movidas por pesos que tocavam uma campainha a intervalos regulares.
Estes relógios de câmara, situados na cela do monge "guardião
do relógio", eram denominados "horologia exiatoria".
O monge chamava os outros para as orações tocando o
sino da torre. Mais tarde montou-se uma máquina maior que ficava
na torre, que fazia soar o sino sem necessidade do monge guardião,
e que passou a anunciar as horas canônicas uniformizadas por
São Benedito no século VI em sete tempos: 1) as "Matinas"
(aurora / 4 badaladas); 2) a "Hora Prima" (nascer do sol
/ 3 badaladas; 3) a "Hora Tertia" (meio da manhã
/ 2 badaladas); 4) a "Hora Sexta" ou "Meridies"
(meio dia / 1 badalada); 5) a "Hora Nona" (meio da tarde
/ 2 badaladas); 6) as "Vésperas" (por do sol / 3
badaladas) e 7) as "Completas" (anoitecer / 4 badaladas).
Estes relógios eram sujeitos a calibragem para acompanharem
a variação dos dias ao longo do ano, e as diferentes
horas do nascer e do pôr do sol. A palavra inglesa "clock"
(relógio não portátil), deriva do holandês
"clojk" que quer dizer sino, que por sua vez em alemão
se denomina "glocke".
O Oriente estava mais adiantado e a história nos conta que o califa árabe Harun Al Rashid teria presenteado Carlos Magno com um relógio de bronze que batia as horas. Mas, foi na Europa que o relógio mecânico se desenvolveu.
A época das descobertas marítimas, que começou
depois do fim da Idade Média, fez aumentar a importância
do tempo para o homem, na sua corrida para o desconhecido. As técnicas
mecânicas de fabricação do relógio foram
aparecendo, havendo necessidade cada vez mais de precisão para
dividir o tempo. Os marinheiros, que usavam as referências no
céu, observando o sol, a lua, as estrelas e as constelações,
com a descoberta dos oceanos viram-se obrigados a se localizarem por
latitudes e longitudes. Para a medição da altura do
sol, necessária para se determinar a latitude, era usada a
Bestilha, ou Bastão de Jacob, adotado no ocidente em 1342.
Este dispositivo já era usado pelos gregos (Dioptra) e pelos
árabes (Kamal). Os portugueses usavam o quadrante e o astrolábio.
A aplicação do pêndulo nos relógios fez
reduzir o erro diário de 15 minutos para cerca de 10 segundos.
Este maquinismo foi aperfeiçoado por Peter Heinlein, de Nuremberg,
que substituiu o peso por uma cinta de aço que tinha a mesma
função, o que permitiu a redução do tamanho
das máquinas até chegar ao relógio de bolso.
A invenção de Heinlein possibilitou um avanço
na história da relojoaria, sendo criadas novas patentes de
excelentes mecanismos. A peça que permitiu movimentar o ponteiro
dos minutos foi chamada de "balancin", responsável
pelo tique-taque dos relógios. A patente do relógio
de bolso só foi registrada por Louis Recordon em 1780, em Londres.
O relógio de pulso só foi criado e patenteado no século XX. O inglês John Harwood registrou a invenção em 1924, e logo o novo modelo superou o relógio de bolso. Um pouco antes, em 1920, uma nova tecnologia, a aplicação de propriedades piezelétricas de cristais na fabricação de relógios. Em 1928, dois americanos, J.W. Horton e W.A. Morrison criaram o primeiro relógio a quartzo do mundo, reduzindo a margem de erro na medição de tempo para um segundo a cada dez anos. E as novidades não pararam, surgindo o cronômetro, o relógio a prova de água, com altímetro e fundímetro, barômetro e os modelos digitais. A tecnologia atômica veio para superar o relógio de quartzo, mas aí já não é mais história.
Por Litiere C. Oliveira |
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