História da arte: A Arte Inglesa
Decoração na Renascença e o estilo Restauração

 

Cama de Ware, circa 1580, versão ornamentada deuma cama inglesa do período Renascença.

A decoração de interiores na Renascença Primitiva tinha um caráter vigoroso, sóbrio e austero. As salas eram em L ou H, ou longas e estreitas, sendo muito comum as diferenças de nível. Nas janelas se usava também o "Arco Tudor", um tipo de arco em ogiva, muito usado em lareiras, portas e painéis de parede. As paredes eram normalmente forradas de madeira, em geral o carvalho. Nos reinados de Elisabeth e Carlos I passaram a usar painéis de parede separados por colunas clássicas e algumas tapeçarias. No teto se usava vigas de madeira trabalhada ou cobria-se com argamassa com motivos coloridos de flor-de-lis, "Rosas-Tudor" e cartuchos, tipo de teto conhecido como "Pargetry". O piso das casas era em geral de pedra ou ardósia ou ainda tábuas de madeira. As salas eram decoradas com armaduras, troféus, pinturas, porcelanas chinesas, tapetes orientais e tecidos pintados. Os lustres usados eram de ferro trabalhado.
O mobiliário das Renascença Primitiva tinha aspecto maciço e mal proporcionado e uma ornamentação exagerada, resultado da influência estrangeira mal copiada. Na Idade do Carvalho, como sugere o nome, era essa a madeira usada. A decoração consistia de entalhação e marchetaria, com motivos variados como tulipas, rosas, acanto, coração, folhagem, figuras humanas, losangos, desenhos geométricos, bichos, pássaros e frutos. Além de camas, mesas, arcas e bancos, passaram a usar armários e cadeiras, estas últimas reservadas aos donos da casa e visitantes ilustres. As cadeiras eram de dois tipos: em painéis, com assento retangular e espaldar alto com entalhações e a torneada com assento triangular, pernas, encosto e braços torneados. As mesas ainda eram com cavaletes, em geral longas, pesadas e estreitas, tipo refeitório. As camas eram enormes, com suportes em bulbo, dossel e cabeceira trabalhada com entalhações. Os armários eram variações da Credência com decoração pesada, com bulbo e entalhações e as arcas eram retangulares com entalhações ou pintura, aparecendo algumas com gavetas na parte inferior.

Restauração

Restabelecida a monarquia na Inglaterra, em 1660, o Rei Carlos II passa a imitar a sofisticação e luxo da corte francesa. O estilo conhecido como Restauração é considerado como o período da arte Barroca na Inglaterra, embora houvesse influência também dos estilos flamengo e holandês.
Na arquitetura, Christopher Wren (1632-1723), foi o principal nome, tendo estudado em Roma e na França, coincidentemente na época da construção do Palácio de Versalhes. Retornando a sua terra após o incêndio que destruiu Londres, apresentou um projeto de reconstrução da cidade que foi aprovado pelo rei. Sob o comando de Wren numerosas ruas, praças e edifícios foram reconstruídos, destacando-se a catedral de São Paulo (muito parecida com a catedral de São Pedro de Roma), os castelos de Winchester e Kensington, o hospital de Chelsea e o Trinity College em Cambridge. Foi Wren que determinou o uso de um tipo de habitação que durante dois séculos se impôs na Inglaterra: as casas em tijolo vermelho-escuro com janelas em guilhotina, fachada austera e colunas clássicas em madeira com frontão emoldurando a porta de entrada.
Os belíssimos jardins dessa época foram feitos imitando-se os jardins franceses de Le Nôtre, que inclusive desenhou o St. James Park. Na escultura, observou-se o domínio de Grinling Gibbons, que trabalhou com madeira e bronze. Os motivos decorativos usados pelo escultor eram escudos, coroas, guirlandas, folhas e flores, caça e peixes, ornamentos que durante 50 anos dominou a decoração inglesa. Na pintura, não há grandes destaques, os artistas importantes eram italianos ou eram holandeses. A cerâmica holandesa de Delft e as orientais continuavam a serem usadas e a prataria era muito rica e bem ornamentada.
No estilo Restauração, os painéis de madeira do estilo Renascença que cobriam as paredes, ficaram maiores, com certa influência do estilo Luís XIV, com excesso de dourados, espelhos e tapetes. Mas essa tendência logo mudou, ficando a decoração mais de acordo com o temperamento inglês. As lareiras, geralmente encimadas por espelho ou pintura, eram de mármore com desenhos arquitetônicos e iam até o teto com acabamento em cornija. Os papéis de paredes com motivos chineses passaram a serem usados. As portas e janelas tinham frontões, frisos e arquitraves, sendo decorados com entalhações de Gibbons. Os tetos tinham desenhos em relevo com flores, folhagem e frutos, pintado e dourado.
O mobiliário também seguia a influência do estilo Luís XIV, ficando confortável e luxuoso, aparecendo também aí a entalhação de Gibbons. A madeira usada agora era a Nogueira, sendo empregados a marchetaria, a lacca japonesa e pinturas com motivos orientais. Também o "motivo da coroa", símbolo da Restauração, era muito usado nos móveis que adotaram a curva em S do Barroco, principalmente nas cadeiras, camas e suportes se outros móveis. A iluminação era feita por meio de lustres de ferro, prata ou cristal.

Fonte: Syles of Ornament, de Speltz, Arte e Decoração de Alayde Parisot, Elements of interior Decoration, de Whitton, enciclopédias diversas.

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