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Apesar
de a origem da navegação remontar à antiguidade e
o uso dos astros como marcos de orientação serem comuns
desde o tempo dos primeiros viajantes, a arte de navegar só deve
ser considerada como astronômica depois que a observação
destes astros passou a ser feita no mar e as medidas tiveram um uso imediato
na orientação dos navegantes. Na Idade Média, a navegação era quase que exclusivamente costeira. Além dos conhecimentos dos ventos periódicos, o viajante tinha que saber reconhecer as diferentes marchas do Sol no céu, nas diferentes estações do ano, e também as mudanças da Lua e os movimentos aparentes da Estrela Polar, que serviam de guias luminosos durante a noite. Estes eram os únicos meios possíveis para a orientação em alto mar. O afastamento das costas só foi conseguido com a ajuda de alguns instrumentos que possibilitavam aos astrônomos de bordo determinar a altura dos astros e dar mais segurança aos navegadores para seguirem cursos desconhecidos. O astrolábio e a arbaleta, além da agulha de marear, inventada no século XII, foram de suma importância para as conquistas ultramarinas. A bússola permitiu a elaboração dos portulanos, registros destinados a preservar a experiência de determinado navegante e que continha as distâncias que separavam dois portos entre si e o rumo magnético que deveria ser adotado ao se dirigir de um porto a outro. |
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| Esfera armilar com globo terrestre, hoje peça de antiquário e museu | |||||||||
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| Outro
elemento fundamental foi a toleda de marteloio, que consistia num conjunto
de enunciados e tabelas que ensinavam aos pilotos como deveriam proceder
quando tivessem se afastado do rumo direto devido, por exemplo, a um vento
contrário. A navegação oceano-astronômica estimulou o espírito criativo dos pilotos portugueses, que procuraram simplificar e aperfeiçoar vários instrumentos de observação e medida das posições relativas no céu. Com este movimento técnico-científico surgiu o astrolábio náutico, na realidade uma simplificação do astrolábio plano, e também o quadrante náutico, ambos permitindo determinar diretamente a altura angular do astro observado. O astrolábio tinha na parte central um visor móvel e, colocado na vertical, era manejado pelo observador até que o eixo passasse pela posição do astro. No centro surgia o ângulo que determinava a latitude. É desta época o desenvolvimento da balestilha e das tavoletas mouras, esta última, um instrumento que Vasco da Gama trouxe de sua viagem pelo Oceano Índico. Na realidade, a náutica astronômica surgiu em meados do século XV, logo que afastando-se das costas, os pilotos perdiam a possibilidade de, através do conhecimento da topografia das terras litorâneas, confirmar a posição por eles estimada. Este conhecimento foi amplamente aplicado às viagens do século XV pelos navegantes espanhóis e portugueses no Oceano Atlântico e pelos pilotos árabes no Índico. Apesar de rudimentares, as técnicas e instrumento da época foram de suma importância para astronomia náutica, tornando possíveis as viagens dos descobridores de novos continentes. |
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Relógio
de Sol com bússola do século XVI
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Diversas foram as fases da navegação
astronômica. Na metade do século XV, fase pré-astronômica,
os pilotos se interessavam pela determinação da altura
da estrela polar em relação ao horizonte, verificando
se ela diminuía à medida que singrava para o Sul. |
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| Um mapa do século XVI mostra detalhes da costa do Brasil | |||||||||
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Na realidade,
os processos teóricos corretos para determinar a diferença
de longitudes geográficas entre dois pontos já eram conhecidos,
mas a sua realização era impossível, pois os pilotos
não tinham como saber a hora de determinado local, problema que
só o cronômetro viria resolver, séculos depois dos
grandes descobrimentos. Na época tentou-se recorrer a observações lunares, uma idéia que se chocou com o deficiente conhecimento do movimento da Lua que seria solucionado no século XVIII pelo físico inglês Isaac Newton (1642-1727). Como a marcação do ponto exigia saber as duas coordenadas geográficas - e tendo em vista que os métodos astronômicos aplicados no século das descobertas não permitiram, pelo menos, determinar a longitude com a precisão desejada -, podemos compreender como foi grande o esforço e o mérito de navegantes como Cristóvão Colombo e Vasco da Gama, que empreenderam as viagens de conquista de novos mundos há cerca de quinhentos anos. Para aqueles que vivem na era espacial - com os satélites artificiais conferindo as posições dos navios e dos aviões -, as dificuldades, os perigos e os diversos obstáculos que os navegantes do século XV enfrentaram podem ser inacreditáveis. |
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| Círculo equinocial para determinar a hora solar | |||||||||
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| Por Ronaldo
Rogério de Freitas Mourão (Pesquisador Titular do Museu de Astronomia do CNPq) Fotos: Reprodução de peças do acervo do Museu Naval e Oceanográfico - RJ |
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| Agulha de marear, usada a bordo das embarcações para indicar o rumo norte | Voltar a página inicial | ||||||||