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| Memórias do Ciclo da Borracha | |||||||||||||
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O naturalista francês Charles Marie
la Condamine ficou muito interessado quando tomou conhecimento da pegajosa
e espessa seiva com a qual os índios da Amazônia, no século
XVIII, confeccionavam objetos. Assim relatou sua descoberta na Academia
de Ciências da França, em 1774: "Os índios fabricam
garrafas, botas e bolas ocas, que se achatam quando apertadas, mas que
tornam a sua primitiva forma desde que livres". Ali foi dado o primeiro
passo para o advento do Ciclo-da-Borracha, que levou Manaus e Belém
a viverem um período de fausto e esplendor, principalmente nas
últimas duas décadas do século XIX, quando a produção
da borracha atingiu seu apogeu. |
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: Inaugurado em 1896,
quando a exportação do
látex criava imensas fortunas da noite para o dia, o Teatro Amazonas custou cerca de um milhão de dólares |
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Em pleno desenvolvimento, a cidade de Manaus tinha ume
elite exigente, que importava obras de arte e artigos luxuosos e exigia
a construção de um centro cultural e artístico, onde
inclusive as senhoras dos barões da borracha poderiam ostentar
seus vestidos e jóias caras. O teatro veio preencher essa lacuna.
Foi o arquiteto italiano Celeste Sacardim quem definiu e comandou a construção
do magnífico prédio. Vieram da Europa pinturas, mármores
de Carrara, lustres e espelhos de cristais, pórticos, esculturas,
candelabros e porcelanas. Seus painéis, pintados pelos artistas
De Angelis e Caprenesi, eram feericamente iluminados por preciosos lustres
de cristal da Bohemia. Por ser considerado um lugar remoto, do ponto de
vista Europeu, Manaus não conseguia atrair estrelas da ópera
à altura de seu teatro. Foi inaugurado em 31 de dezembro de 1896,
com a apresentação da Companhia Lyrica Italiana, que encenou
"La Gioconda" de Ponchielli. Enrico Caruso, convidado a apresentar-se
a peso de ouro, recusou-se temendo as febres tropicais. Sua presença
em cartazes que anunciam espetáculos deve-se à imaginação
do cineasta Werner Herzog que, em seu filme Fitzcarraldo, cujo tema é
o apogeu do ciclo-da-borracha, colocou Caruso ao lado da francesa Sarah
Bernardt, encantando os milionários do látex. Segundo o
historiador Clarivaldo Valadares, o Teatro Amazonas funciona normalmente
como casa de espetáculos, com atrações artísticas
regionais, nacionais e internacionais. Está aberto para visitação
de segunda a sábado, no horário de 9:00 às 16:00
horas, sem intervalo. Possui guias que falam Inglês, Francês,
Espanhol, Italiano e Alemão. |
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Inaugurado em 1896, quando a exportação do látex criava imensas fortunas da noite para o dia, o Teatro Amazonas custou cerca de um milhão de dólares |
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Em 1918, o Estado comprou o prédio para ser residência
oficial do governador, passando a denominar-se Palácio Rio Negro.
No governo de Álvaro Maia, em 1945, a construção
foi acrescida de uma ala lateral, à direita, e de uma torre instalada
sobre o lado esquerdo do segundo pavimento. Sua fachada apresenta característica
eclética, com o predomínio de elementos clássicos.
O Palácio Rio Negro foi tombado pelo Patrimônio Estadual,
em 1980, logo após sua última restauração.
Atualmente o prédio abriga o Centro Cultural Palácio Rio
Negro. |
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Inaugurado em 1896, quando a exportação do
látex criava imensas fortunas da noite para o dia, o Teatro Amazonas custou cerca de um milhão de dólares |
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Localizado na mais
tradicional artéria de Manaus (avenida Eduardo Ribeiro), o Palácio
da Justiça foi inaugurado em 1900. O prédio foi erguido sobre
uma área elevada, e protegido por um espesso muro com balaustradas.
Este prédio fez parte do plano de monumentalização
da cidade, traçado pelo governador Eduardo Ribeiro que, em 1893,
desapropriou o terreno e no ano seguinte assinou o contrato de construção
com a firma Moers & Morton. A obra, porém, foi concluída
por José Gomes da Rocha, no governo de Ramalho Júnior. Projetado
para ser a sede do Palácio da Justiça, esse monumento cumpre
até hoje essa função. Seu interior apresenta uma profusão
de ornamentos, que misturam elementos de variados estilos. O aspecto barroco
do seu ambiente interno contrasta acentuadamente com sua fachada sóbria
e austera. O Conjunto Arquitetônico do Porto de Manaus, tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1987, é composto por várias construções: Prédio da Ilha de São Vicente (rua Bernardo Ramos), Escritório Central (Rua Taqueirinha), Museu do Porto (Boulevard Vivaldo Lima), prédio onde funciona o anexo da Assembléia Legislativa (Rua Governador Vitório) e o antigo Prédio do Tesouro Público (Rua Maurício de Souza). Constituem ainda este complexo o Trapiche 15 de Novembro e demais armazéns, as pontes e os cais flutuantes, além do prédio localizado na entrada do Roadway. Com exceção do prédio da Ilha de São Vicente - que já existia em 1852 - e do antigo Prédio do Tesouro e do Trapiche 15 de Novembro - construídos em 1890 - as demais instalações do Porto de Manaus foram construídas na primeira década do século XX pela firma inglesa Manaos Harbour Limited, que administrou os serviços portuários até os anos sessenta. As construções encontram-se em bom estado de conservação e o turista ainda pode visitar o Museu do Porto, que conta, através de seu acervo, a história da navegação no Amazonas e da construção do próprio Porto. Instalado na administração de Araújo Lima, no início da Avenida Eduardo Ribeiro, o Relógio Municipal foi encomendado a uma relojoaria suíça, sendo montado e revisado por Pelosi e Roberti, antigos ourives de Manaus. A construção do seu pedestal foi concluída no final de 1927. Junto com o obelisco erguido em comemoração ao centenário da elevação de Manaus à categoria de cidade, o Relógio Municipal compõe a paisagem arquitetônica do largo da Matriz. Primeira igreja erguida logo após a fundação de Manaus, a igreja da Matriz foi obra dos missionários carmelitas, que em 1695 construíram a Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Esta obra rústica foi reconstruída pelo então presidente da Província Manoel da Gama Lobo D'Almada, que ampliou suas instalações; porém, em 1850, foi complemente destruída por um incêndio. O prédio atual da nova igreja da Matriz foi inaugurado em 1878, e levou vinte anos entre o lançamento da pedra fundamental e a sua inauguração. Até hoje, a igreja mantém uma posição de destaque na paisagem do centro da cidade. Localizada sobre uma pequena elevação, em frente ao porto de Manaus, sua construção é bastante simples, com predominância de linhas retas em estilo neoclássico. Uma das construções mais antigas de Manaus, o prédio do Quartel da Polícia Militar faz parte do conjunto arquitetônico da praça Heliodoro Balbi. No térreo funciona o Museu Tiradentes, que conta a história da corporação. Ali também está instalado o Museu de Numismática, com uma coleção de moedas raras. Os dois museus estão abertos à visitação pública, em horário comercial. A primeira notícia que se tem dessa edificação data de 1867, quando o presidente da Província relatou a compra do prédio em construção, conhecido como Palacete Garcia, para abrigar o Tesouro Provincial. Construído originalmente em um único bloco, o Palacete da Província, como ficou conhecido, foi inaugurado em 1875. Nele funcionou o Liceu, a Biblioteca Pública, a Assembléia Provincial e a Repartição das Obras Públicas. O prédio da Biblioteca Pública foi construído no governo de Constantino Nery, entre 1904 e 1907, porém, desde 1870, a Biblioteca funcionava sem sede própria. Em 1929, o prédio era denominado de Palácio Legislativo, em 1945, a ala direita foi totalmente destruída por um incêndio, que queimou todo o acervo bibliográfico. O prédio só foi recuperado dois anos depois. A edificação de dois andares ocupa uma grande área na rua Barroso, esquina com a avenida Sete de Setembro. A escada que dá acesso ao pavimento superior é de ferro, projetada pela firma escocesa Mac Farlane, que conseguiu transformar esse elemento de função utilitária em um objeto decorativo, com degraus e guarda-corpo vazados em bordaduras. No andar superior, próximo à escada, encontra-se a obra de autoria de Aurélio de Figueiredo intitulada Redenção do Amazonas e, no hall, estão as paisagens amazônicas pintadas por Branco e Silva. |
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| À esquerda, o prédio da Alfândega, em estilo mourisco, mostra a identificação da elite amazonense com os padrões europeus. Ao centro, pintura afresco do teto do Teatro Amazonas. À direita, menos suntuoso que o Teatro Amazonas, o Teatro da Paz, em Belém, também guarda o esplendor de uma época de ouro, como os luxuosos lustres de cristal da Bohemia que ilumina a platéia. | |||||||||||||
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O prédio onde hoje funciona o Centro de Artes tinha
a finalidade de ser a usina de tratamento de esgotos da cidade. Foi construído
em 1910 pela empresa inglesa Manaos Improvements, concessionária
dos serviços de saneamento, contratada pelo governo estadual a
partir de 1906. Em 1913, o sistema de tratamento de esgotos ainda não
havia começado a funcionar quando a população, revoltada
contra as altas taxas cobradas, destruiu o escritório da empresa.
Com características neo-renascentistas, o prédio possui,
ao lado, uma chaminé de 24 metros, construída em tijolo
compacto refratário, coroada por um chapeló em ferro moldado.
Por isso, ficou conhecido como Chaminé. Tombado como Monumento
Histórico do Estado do Amazonas em 1988, a edificação
foi reformada em 1993 para abrigar o Centro de Artes Chaminé, um
espaço cultural onde acontecem regularmente exposições
de arte, espetáculos artísticos e outras manifestações
culturais. Fotos de Carlos Humberto (R.G.N.) |
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| À esquerda, o prédio da Alfândega, em estilo mourisco, mostra a identificação da elite amazonense com os padrões europeus. Ao centro, pintura afresco do teto do Teatro Amazonas. À direita, menos suntuoso que o Teatro Amazonas, o Teatro da Paz, em Belém, também guarda o esplendor de uma época de ouro, como os luxuosos lustres de cristal da Bohemia que ilumina a platéia. | |||||||||||||